sexta-feira, 27 de maio de 2011

Estudantes debatem imparcialidade de jornalismo televisivo no Intercom Sul

Aluna da UEL apresenta estudo sobre a cobertura política feita pelo Jornal Nacional na última semana das eleições de 2010

A aluna da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Ana Carolina Felipe Contato, estudante de Jornalismo do 4° ano, participa de um projeto de pesquisa que analisa a cobertura política no Jornal Nacional. Segundo ela, a Globo já causou várias polêmicas quando o assunto é a imparcialidade nas eleições.

A teoria da estudante é baseada em pesquisas sobre a cobertura em várias edições das eleições. Para ela, em 1989, na ocasião do debate entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, a edição do telejornal favoreceu o candidato alagoano. Na eleição seguinte, em 1994, o Jornal Nacional beneficiou Fernando Henrique Cardoso, que, na ocasião, utilizou o slogan “o milagre do plano real”. Em 1998, a cobertura enfatizou a estabilidade econômica alcançada no Governo Fernando Henrique e contribuiu para a reeleição do ex-presidente.

A pesquisa apresentada por Ana Carolina apontou que 65% dos brasileiros escolhem seus candidatos com base nos programas e o Jornal Nacional, desde 1969, é referência para essa visibilidade de políticos.

Na última eleição, em 2010, o Jornal Nacional realizou uma cobertura sobre as eleições, transmitindo a agenda diária dos candidatos. Nessa oportunidade, de acordo com os estudos da aluna da UEL, a emissora divulgou uma série de reportagens com o repórter Ernesto Paglia, além de entrevistas em estúdio com os principais candidatos.

Ana Carolina analisou 26 matérias em setembro e constatou que os candidatos Rui Costa Pimenta e José Fidelix não apareceram em nenhuma matéria. A candidatura dos três mais votados, Dilma Roussef, José Serra e Marina Silva, tiveram sete matérias cada uma.  Todas as matérias sobre a presidente Dilma foram positivas. José Serra também teve sete – uma neutra, sobre sua agenda, e seis positivas, enfocando em suas propostas.  Marina Silva teve sete matérias, entre elas, três foram positivas e quatro neutras.

Ana Carolina comenta sobre a imparcialidade na cobertura: “Marina Silva foi a mais prejudicada pelo Jornal Nacional, porque as matérias sobre ela eram neutras demais, nada se falava sobre suas propostas A campanha de 2010 foi considerada quente, pois havia muitas polêmicas, como o aborto. O ponto de vista dos candidatos foi amplamente explorado durante a campanha. Porém a cobertura na imprensa foi branda, quase esquivada”, disse.

Na opinião de Ana Carolina, o resultado da eleição é reflexo da influência que o Jornal Nacional exerce sobre o público. “Mais uma vez, o programa teve grande importância na persuasão dos telespectadores, já que as eleições foram decididas entre os dois candidatos com maior destaque na cobertura do JN”, finalizou.

REPORTER: GLEICIANE ZANARDO
EDIÇAO: RAFAELA RIGUET E GIOVANA CHIQUIN
COORDENAÇÃO: GIOVANA CHIQUIN



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